.shaaaame, such a shame
Falando em shame, uma pequena idéia antes do post.
Alguém, por favor, me avise quando acabaram os limites e a vergonha do plágio malfadado. Depois do UOLKUT, do ORKUFF [da Universidade Federal Fluminense, gente!], a Globo lanca um Orkut deles, que não lembro o nome agora. Mas que também deve trazer um nome assim, bem ridículo.
Chamo de “A Escola Silvio Santos de Falta de Vergonha”. É a prática da cópia descarada das coisas. Os coreanos - com todo respeito - perdem feio, com seu tênis MIKE. E pensa que eu não sei que o Jô Soares ficou um tanto quanto desmoralizado quando as TVs por assinatura chegaram ao País e grande parte da classe média que o endeusa(va) descobriu sua matriz, o David Letterman? Que tem banda, canequinha, piadinha inteligente no início do programa e o cenário de uma cidade iluminada atrás? Que feio, que feeeeio. Escola SS total. Aí, o Faustão traz a dança dos famosos e o Silvio imediatamente traz o “Bailando por um sonho”. É demais.
Mas, ainda assim, Silvio é ídolo. Ele pode. Ele teve a atitude “bambu”, que foi o máximo. E teve aquela entrevista mentindo para a Contigo. Pô, ele tem lastro.
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E é impressão minha ou tem uma safra de músicas católicas tocadas com uma base rítmica idêntica às músicas do Roupa Nova? Idênticas, mesmo.
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Tá, o post.

Ok, imaginemos uma nem tão hipotética situação.
- Você morreu, certo. Suponhamos.
E aí, mó galera, passada a consternação, o pretinho básico, a choradeira, blá blá blá, resolve fuçar sua gaveta e encontra o seu diarinho trancado com um mini-cadeado e umas cartas e umas fotos e uns bilhetes e tal. Nem deus sabe o destino que as suas mais recônditas memórias vão tomar.
Imaginem, seria uma droga, nessas condições, ter a vida toda devassada, não é mesmo? Aliás, em qualquer condição, ter a vida devassada deve ser super péssimo.
É. Mas isso era no passado, baby. Passé composé.
Porque agora é muito pior.
Dia desses, eu tava falando com um(a) amigo(a) que(a) não(a) quer(a) se(a) identificar(a) [viram como eu mantenho tudo em sigilo, mesmo? Haha], a quem chamarei ficticiamente de Björk. Porque Björk é um nome legal, ué. Quem nem aquela atriz, Elisângela. Um nome, só, sintético. Björk é quase um conceito. Pois então. Aí, eu tava expondo minhas emoções no meio da noite para Björk. Tudo, tudo, ABSOLUTAMENTE TUDO o que é nosso estará ao alcance do mundo inteiro, do pai, da web, quando a pessoa morrer.
E nada me angustiou tanto, nos dias seguintes.
É um assunto intrigante. Porque pressupõe – REVELAÇÃO! EPIFANIA! CATARSE! – que todos os HDs de dead people foram devassados! Claro que o povo não formata sem ver, claro. Ainda mais se for mulher. A gente é curiosa pacas, não podemos trabalhar com computador alheio, que a gente fuça mesmo. Eu fuço, ó. Assumô!
Eu, que tenho uma bela opinião formada sobre tudo, sobre o aquecimento global, a careca do Anthony na novela das oito, a deputada feia que fez barraco com o Clodovil, o advento dos filmes pornôs para cegos, o novo disco do Manic Street Preachers, enfim, não consegui ainda imaginar uma solução para que o correto fim seja dado ao meu HD: a formatação, seguida da ancestral fogueira velha de guerra. Porque, não se iludam, formatação nem é tão inexorável assim e acho que deve haver modos de recuperar os arquivos perdidos, mesmo formatados. Ou seja – olha que coisa sem noção -, é capaz de nossos arquivos estarem fadados a sobreviver PARA SEMPRE, forever and ever! Cremação já.
E não é apenas um diarinho ou as fotos. É todo um conteúdo audiovisual a compor seus arquivos mais que pessoais. Assustador, isso. Sabe suas mp3 com contos eróticos, suas fotos/vídeos nú*, a senha do seu email/msn, seus textos proibidões, os links, os favoritos, aquela carta digitada que nunca foi entregue por falta de coragem? Antes, esclareço: Jude Law, meu coração é seu. Ok, eu peguei o Fábio Assunção, mas foi tudo apenas uma aventura, um passatempo mundano, uma brincadeira fugaz. Não se abale com as revelações do meu HD.
* Não, não, fotos pelada, jamais. Claro que eu não tenho, nunca tive e nunca terei. Ainda mais conhecendo o you tube, os flogs, a perversidade das pessoas e dos ex-namorados. Acho que a foto mais nua que eu tenho, tirando as de biquíni – e que ainda são comportadas –, é essa que saiu no jornal.

- Sensual, sem ser vulgar. Mas juro que eu estava de tomara-que-caia branco. Papai olha e pergunta: “Mas filha... você estava usando algo por baixo, nera?”. Pô. Mas fiquei super à vontade, me deram champagne e canapés.
Ah, mas MP3 de contos eróticos eu tenho sim. Três. Mas são meio ridículas, sabe. Err. Pois sim. Falei da foto da pessoa nua porque Björk me segredou ter tido fotos em situações, err, metafóricas e metadêntricas, enfim, compro-metedoras [bah, cês já entenderam] no computador, mas que já foram devidamente apagadas, segundo informações de Björk. Mas o exemplo foi só pra vocês terem LOÇÃO da gravidade do conteúdo de um HD. Links, sabe. Coisas do nosso dia-a-dia, tudo gravado. Os logs do msn! ANOS de conversas comprometedoras [opa, dessa vez é sem nenhum trocadilho. Quer dizer...].
Céus, céus. Não poderemos morrer em paz. Catalepsia já! Eu precisarei voltar, pra resolver minha vida! Ou minha morte! Whatever! Claro que meu pai, minha irmã, a imprensa marrom, curiosos e transeuntes irão querer ver meus textos ainda não-publicados no blog. Eles vão ter acesso aos meus arquivos de pesquisa, meus temas inéditos. E às fotos do Paquerinha! Meu deus, as fotos do Paquerinha**!
**Paquerinha: tô completamente vidrada num moço assim, estiloso, descolado, lindo, cavalheiro, engraçado, viajado, misterioso, charmoso, inteligente e lindo de novo, etc etc etc, mas que não me dá tanta bola. Quer dizer, ele super me dá bola até, mas há outros dias em que ele tipo entra e sai do msn sem nem dar as caras, nem diz um “e aí”. E eu acho LINDA essa imprevisibilidade e o micro-desprezo***. Tipo, “ai, será que hoje ele falará comigo?” Tá, vocês jamais entenderão. O fato é que eu coleciono as fotos do paquerinha. O fato é que eu não posso apagá-las, ele era meu wallpaper até um dia desses. O fato é que eu coloquei um aviso com musiquinha e um atalho fixo dele na área de trabalho, para eu saber quando ele está online e quando ele sai do msn. Meu deus, ele nem imagina uma coisa dessas. E vai me achar uma criança de 12 anos, se souber disso. “Não é amooor, é só obsessão”, já diria o forró.
***Micro-desprezo: Irresistível. Mas, ó, é algo espontâneo. Nem adianta fazer em casa, crianças. Tipo, forjar um micro-desprezo fica horrível e afasta. Mas é assim: alguém que, apesar de me adorar, é blasé. E nunca me deixa saber de detalhes da vida dele, sempre deixa alguma coisa misteriosamente no ar, por explicar. Um jeito, enfim, de “nem-te-ligo”. Aí, quando você menos espera, a pessoa puf!, liga. É fatal, é o máximo, o máximo. Não, não, vocês nunca vão entender. É tão subjetivo. E, sobretudo, LINDO.
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Então. Já pensou, quando eu for famosa, morrer repentinamente sem formatar meu computador e meu HD for parar num leilão na Christie’s, ao lado dos milésimos óculos do John Lennon e de mais uma obra encontrada num porão do Picasso? Aí, a pessoa que arrematar – provavelmente um ricaço de hábitos excêntricos que mora no interior da Inglaterra, numa mansão com carpas e fenos – vai ganhar rios de dinheiro revelando meus segredos. Fará uma biografia não-autoriazada e, o pior, revelará a identidade do Paquerinha e contará de minhas pequenas obsessões e loucuras, como nojos inéditos, o vício de fazer templates pro blog e meus arquivos de word com idéias subversivas e ultra-censuradas. Devassará meus 15 gigas de mp3 arduamente garimpados nas madrugadas, enfim, minha alma.
Preciso pensar em uma saída. Eu podia ser que nem o Batman e ter um mordomo em quem eu confiasse piamente. Ele apagaria sem ler, o meu HD.
- Só se eu ensinasse o Elvis.
O Brasil não precisa saber que eu sou doida, não precisa.
O melhor e o pior de mim estão no meu HD.
... e no celular! Meu deus, o celular. Há os apelidos infames pra alguns contatos.
Aiaiaiaiai.
.playlist
scummy, arctic monkeys
ah! é assim?, wonkavision
3 times and you lose, travis
big bang baby, stone temple pilots
por que você é tão estúpido assim, joseph k
il buono, il brutto, il cattivo (titoli), ennio morricone
menti pra você, mas foi sem querer, pato fu[em tempo: tsc. a inteligente da Lucy colou esse post por cima do anterior... mas não faz mal, era um pequenininho de ontem. nem faz mal.]