A ESTRELLA: Francisca Clotilde e literatura feminina em revista no Ceará (1906-1921)
Luciana Andrade de Almeida
LançamentoData: 27 de novembro de 2006
Horário: 18h30
Local: Museu do Ceará
Rua São Paulo, 51 - Centro
Fortaleza - CE
Volume 45 da coleção Outras Histórias
Livro que inicia com uma receita de goiabada e termina contando a história de uma revista que durou 15 anos. Assim é
A ESTRELLA: Francisca Clotilde e literatura feminina em revista no Ceará (1906-1921), da autoria da jornalista e historiadora Luciana Andrade de Almeida. O volume 45 da coleção Outras Histórias, do Museu do Ceará, apresenta a revista literária A Estrella, que completa seu centenário de fundação em 2006. Foi a menina dos olhos da escritora cearense Francisca Clotilde (1862-1935), cearense nascida em Tauá, região dos Inhamuns. Ao lado de sua filha, Antonieta Clotilde, e de quase uma centena de colaboradores e colaboradoras de todo o País, as "Clotildes" mantiveram a publicação, que apareceu em Baturité-CE a 28 de outubro de 1906 e cujo último número circulou no final de 1921, em Aracati. Suas 193 edições, produzidas durante 15 anos, foram sustentadas pela persistência de mulheres que nutriam grande apreço à escrita e tinham por compromisso constituir espaço de produção e divulgação literária.
O texto de Luciana Andrade, desenvolvido a partir de sua monografia de conclusão do curso de Jornalismo na UFC, dá a conhecer ao leitor a trajetória de escrita de Francisca Clotilde, que dedicou meio século de sua vida à literatura e ao ensino. Foi a primeira professora do sexo feminino a lecionar na Escola Normal do Estado, aos 22 anos de idade (1884). Era um período de intensa atividade intelectual no Ceará, com o aparecimento de agremiações literárias, bibliotecas, circulação de mais de uma centena de jornais, na última década do século XIX.
A escrita foi um meio que possibilitou inserção mais representativa das mulheres nessa esfera intelectual, predominantemente masculina até então, alargando suas possibilidades de atuação social. Clotilde habitava esse mundo de leituras, leitores, escritas, circulação de idéias. Foi republicana e abolicionista, tendo pertencido ao Clube Literário (1886). Ali colaborou com artigos, contos e versos, ao lado de Antônio Sales, José Olimpio, Juvenal Galeno, Justiniano de Serpa. Foi desenvolvendo a escrita em várias formas, como sonetos, publicidades, peças de teatro. Para conquistar espaços, contudo, a escritora não masculinizou sua escrita ou utilizou pseudônimos de homens: sua outra identidade literária era Jane Davy e, em sua trajetória escrita, posicionou a mulher e suas idéias no espaço da imprensa. Tematizou o universo feminino - em 1902, publicou romance de título controverso,
A Divorciada, revelando sua experiência pessoal.
Em 53 anos dedicados às letras e ao ensino, Francisca Clotilde colaborou em grande número de periódicos, como O Domingo, A Quinzena, Folha do Commercio, Almanaque do Ceará, A Cidade, Ceará Ilustrado, A Fortaleza, A Evolução, Revista Contemporânea, A República, na folha operária O Combate e no abolicionista O Libertador. Publicou, ainda, Coleção de Contos (1897), Noções de Aritmética (1889), A Divorciada (1902), Fabíola, drama sacro em 3 atos (s/d), o drama Santa Clotilde (s/d) e Pelo Ceará (1911), série de artigos políticos editados na Folha do Commercio, em apoio à queda da oligarquia aciolina e a favor da candidatura de Franco Rabelo.
Contrariando o senso comum, encontra-se, através da história de Francisca Clotilde, várias mulheres que insistiram e conseguiram manter um jornalzinho, uma revista, publicar livros e exercitar o fazer literário. A escritora pode ser situada em um contexto sócio-histórico que permitia sua atuação. Partindo da trajetória de Clotilde, apreende-se uma visão diferente das tradicionais abordagens da história sobre mulheres, freqüentemente representadas como oprimidas, vítimas ou coadjuvantes. Suas experiências e lugares sociais são elementos para a compreensão de sua expressão pública, espaços femininos de sociabilidade e o diálogo com intelectuais.
Era uma mulher do seu tempo, que se afirmou pela palavra.
A autoraLuciana Andrade de Almeida nasceu em São Paulo, em 1983. É jornalista, formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), em 2004. Concluiu a graduação com a monografia "Das Lutas ao Cotidiano Agri-Doce: pioneirismo e ousadia na escrita feminina de Francisca Clotilde em A Estrella (1906-1921)", orientada pela jornalista e historiadora Ana Rita Fonteles Duarte. Atualmente, é mestranda em História Social na UFC, contando com o apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) na realização da atual pesquisa, que amplia o estudo sobre o percurso de escrita de Francisca Clotilde, com orientação da professora Adelaide Gonçalves.
ApoioAssociação Amigos do Museu do Ceará
RealizaçãoNúcleo de Documentação Cultural do Departamento de História da UFC (Nudoc) e Secretaria da Cultura do Ceará
david bowie, the prettiest star