Das críticas construtivas - Parte 7.549
Good morning, angels!
Na semana em reparei o quanto "Debaser", dos Pixies, é ruim [!!] e na semana em que tivemos que suportar o infeliz retorno daquela dupla de atrizes pseudo-engraçadinhas no dispensável "Sob Nova Direção" [ouvi dizer que os índices de suicídios após o Fantástico aumentaram absurdamente], Lucy, jornalista e rockstar, 23, volta ao blog para proporcionar um alento às rotinas maçantes de seu séquito de leitores assíduos e externa hoje suas polêmicas impressões acerca do humor cearense.
Ah, e eu não precisava ter visto WANDO e o "Leão" Gilberto Barros semi-nus nadando no sábado passado em Angra dos Reis. Afoguei minhas mágoas femininas em finas torradas passadas no azeite e em ervas finas e com patê de ricota, acompanhadas por uma xícara de capuccino morninho.
E preciso compartilhar isso com vocês: nunca havia notado que eu poderia mudar a fonte do bloco de notas. Sei que é tolice, mas fiquei feliz, como criança que ganha tortinha de limão - pra mim, tortinha de limão, ó, beira a perfeição gastronômica -, quando transformei a programação de um site inteiro que estou construindo para VERDANA 10.
- Yeah, tesouros sem preços.
E vamos topar tudo por dinheiro no palco, oêê.
Obs.: Rei Majestade, com Silvio Santos é um... achado. Só falta o Guilherme "Planeta Água" Arantes, pra completar a constelação.
[...]
Enquanto isso, eu estava tomando café da manhã and having so much fun, vendo um programa local de culinária: "Olha, gente, a diferença entre charlotte e pavê é que charlotte é feita com biscoito champagne e a gente desenforma o doce. E o pavê é montado com bolacha maisena e a gente não tira do 'piréx'. Mas, como cearense adoooora inventar, vamos preparar hoje uma charlotte com bolacha maisena no lugar do biscoito champagne e colocaremos castanhas de caju no lugar das nozes".
CARA, então, é o seguinte... Melhor nem dar nome aos bois ou às charlottes, então. Chame de mousse de uma vez. Sim, e no lugar do chocolate em pó, coloque Sustagem Banana Light que fica, tipo assim, IDÊNTICO. É como fazer suco de carambola, sendo que, se você mora em Cuiabá e na sua cidade não há carambolas ou as demais frutas, você substitui por tomates secos que dá no mesmo.
- Humanos, essa espécie estranha.
- Aqui é só esculhambação, tia.
[...]
Pode ser que os mais bairristas fiquem de cabelo em pé. E essa polêmica é, certamente, como jogar um boi num rio de piranhas. Mas eu não suporto esse humor local feito por gente travestida. Nada contra travestis - me dou super bem com os New York Dolls, com o Lou Reed e a Rachel, enfim, nada a ver, tenho discos e tudo. Mas, de cabeça, me lembro de apenas seis humoristas "da terra" que tiveram noção do ridículo e a decência de não se trajarem bizarramente de mulher para alcançar sucesso - sendo que apenas Chico Anysio e Tom Cavalcante garantiram seu lugar ao sol [como bons cearenses que são]. Papai e mamãe, até hoje, me matam de inveja, por terem ido a um show genial do Chico Anysio por aqui, em que ele desfiava um rosário de palavrões e impropérios engraçadíssimos. Deve ter sido lindo, mas eu não pude ir por causa da tenra idade.

- Chico dando uma chance ao imberbe Tom, na TV sei lá, Tupi.[o fato de Chico estar vestido de mulher nessa ocasião é mera casualidade]
Sim, mas os outros quatro humoristas que não se vestem de mulher são:

- Eu já vi muita coisa idiota (god only knows), mas nada se compara a Lailtinho Brega, que particularmente considero o mais inteiramente cafona e constrangedor de todos. Gordo, loser e com um terno de paetês dourados, conta aquele tipo de piada em que todo mundo fica em silêncio depois - e, se ri, é por consideração mesmo. Ou porque não entendeu. Ou porque FINGIU entender;

- Adamastor Pitaco, o auto-intitulado "Lindão", que fazia uns bicos no Gugu e sumiu depois de tocar a "melô" da grávida / da virgem / do corno / do viado / do homem impotente / da mulher de tpm / da gorda / do pintinho que explodiu e do raio que o partiu por 678356078 domingos seguidos;

- Falcão, que é, bem dizer, nosso Eri Johnson: artista avulso que não grava disco há anos e vive sendo convidado para júris de concursos musicais nas tardes de sábado, entrevistas e enquetes genéricas, passeios por São Paulo com a Sarah do Vídeo Show, participações em depoimentos no "Arquivo Confidencial" do Faustão e até em mesas redondas sobre futebol. Inclusive, o vi no domingo passado ao lado de Ricardo "Cigano Igor" Macchi, César "namorou a Angélica por sete anos e ela deu foi pro Maurício Mattar" Filho, Thierry "monocelho" Figueira e outras celebridades da segunda divisão, na estréia do novo programa do Jorge Kajuru, no SBT. [Só faltaram Filó, Carla Perez, Fafi Siqueira e Sônia Lima, pra se concretizar a visão do ostracismo...]

- E tem o Tiririca, a quem realmente admiro.
[comentários ofensivos ao Tiririca serão solenemente ignorados e deletados.]
[solo de bateria]
Pois é. Os humoristas travestidos locais fariam Ed Wood corar em termos de tosqueira, com suas próteses desproporcionais de bundas e peitos, roupas espalhafatosas e breguinhas, uma peruca roxa ou rosa e o batom sempre escuro e borrado. E eu sempre acho que aquelas fantasias fedem e são suadas. E desprezo essa estética mambembe. Eu não suportaria vestir aquelas roupas, ó. Se eu fosse drag, taí, eu seria cheirosa e me exfoliaria completamente após cada noite de maquiagem pesada, lógico.
O que acho mais pitoresco é que todo mundo dá a maior força para a perpetuação desse tipo de humor, do "jeito cearense de fazer graça". As piadas são batidas demais, o sotaque exagerado cansa - e o ato de estar travestido, enfim, não acrescenta nada à piada, a meu ver. Muitas vezes, nem é um personagem, é só mais um cara vestido de mulher. Hum, de mulher não, porque mulher não se veste assim. Sei lá do que eles se vestem. Mas para mim, o sujeito poderia contar perfeitamente a piada da galinha que foi atravessar a rua sem estar caracterizado bizarramente. E nem venham com o argumento de que "ahh, mas o público infantil AMA nossas fantasias, eles nos param nas ruas, nos imitam, é tão comovente". O povo que diz isso deve ignorar muito o fato de que todos já tivemos infância um dia - e, taí, eu era o tipo da piveta que não curtia 90% dessas coisas que os artistas dizem que "as crianças adoooram", tipo marshmellows ou jujubas azuis.
Apoiar isso, pra mim, é que nem apoiar o coral de mudos, o balé de paraplégicos, o personal stylist cego, as crianças calouras do Raul Gil e alguns músicos da terra: é óbvio e ululante o fato de que todo mundo tem medo de criticar e parecer politicamente incorreto, com receio de estar desestimulando o trabalho de gente tão esforçada que quer ser talentosa. Deveríamos, no entanto, estar conscientes de que todos temos limitações - tipo, o fato de o paraplégico não poder andar não o impede de desenvolver diversos talentos e trabalhos maravilhosos nem de ser reconhecido por isso: mas dentro da limitação deles. Mas o pessoal continua a manter o quadro de crianças de três anos que não sabem falar Pindamonhagaba no Raul Gil e continuam a fazer programinhas com elas porque acham "bonitinho". Intimamente, todo mundo sabe que criança canta mal pra burro e são ruins de doer. Tanto é, que nunca são elas próprias que cantam nos cds, sempre é um coro enorme de pivetes pra camuflar a desafinação. Me recordo de um grupo terrível, o Mulekada, em que as crianças eram tipo covers do TCHAN...
Coisa semelhante mesmo ocorre com alguns humoristas - e aí se repete o mantra: "buáá, é porque a Globo só dá chance pros artistas do eixo RJ-SP e a gente tem que dar importância e valor a quem vem do norte-nordeste..."

- Tsc tsc tsc...Como se não bastasse, os humoristas locais deram cria e influenciaram o povo da Terapia do Riso, que são caras que fazem parte do YMCA ["Movimento dos Rapazes Criados pela Avó", em tradução livre para o português] - desmunhecaram de vez e dão faniquitos nos ônibus e vans que circulam pela cidade, vendendo cartões de "amor e amizade" [há alguns anos, comentei no blog que eram poemas eróticos e dos brabos] e pedindo doações para os projetos de que participam. E eles sempre falam com voz irritante e meio fanha, carregando ainda mais o sotaque - "Bóa taaarde, péssóal! Péssóaaal, eu disse bóa taaarde...!". E são, obviamente, muito caracterizados. Ou seja, um saco. Dificilmente eu riria de uma bobagem dessas - ainda mais num ônibus, cansada, despenteada e suada após a hard day´s night.
Sem querer ser uma pessoa spoiler e rabugenta, eu acho que eles têm que ser criticados sim. Porque TODOS os humoristas cearenses têm que ser caracterizados afinal? Até hoje, me pergunto porque não são feitas críticas mais pungentes a programas de humor ruins de doer e que insistem em sobreviver, feito o Zorra Total. Ohh, esse blog apóia a eutanásia para o Zorra Total. Coloquem um filme qualquer no lugar e os telespectadores agradecerão.
Honestamente, pra falar a verdade, eu preferiria que os artistas locais se inspirassem em programas de humor mais refinados, como Saturday Night Live ou Seinfield. E os músicos locais podiam tocar como Franz Ferdinand ou Patti Smith, e ohh, tudo seria tããão lindo. Mas ah, vá... Isso não existe, Poliana. Mas o que seria de nossa vida sem os sonhos, não é verdade, darlings. Tenho que parar de ler os marxistas...
Falando em sonhos...
... e, um dia, voltarei a São Paulo, em minha incessante busca por uma vida fácil, cool, tranqüila e sem os problemas que tanto afligem o cidadão urbano ocidental - com minha TV de plasma de 57 polegadas.
- Pena que lá ainda passa o Zorra Total.
suede, positivityAntropologia caninaPorque cãozinho Pincher é assim. Ele só sabe latir alto e desesperado, com os outros cachorros mandando ele calar a boca - e ainda acha que é mais cachorro que o pastor alemão que fica acorrentado no quintal.
- Pinchers, essa espécie estranha.
radiohead, karma policeCurtas- Vocês já observaram o clareamento dental que o Anthony Garotinho fez? Menino, nas propagandas do PMDB, eu não consigo desgrudar o olho dos dentes do cara. Foi um clareamento daqueles bem extremos, o centro óptico do Garotinho, hoje, são os dentes, sem dúvida. Um tempo atrás, Bom Jovi fez um bem parecido, ficando um efeito "branco na luz negra", no clipe de Everyday. Ah, vocês devem sacar.
- Shit happens: você está com toda a pressa do mundo pra pegar uma carona e tal. Mas, no caminho, resolve compras umas pilhas. Bem, eu tinha dito "toda a pressa do mundo", lembrem-se. Daí, na minha frente, um pivete está comprando um dvd do Ritmo Quente e um carrinho Hot Wheels por VINTE E SEIS REAIS, em moedas de cinco centavos. CINCO CENTAVOS.
- Eu quero:

- Fontes seguras já haviam me informado que Crash - No Limite era meia-boca. Mas só vendo pra crer no quanto aquele filme é simplório e irritantemente óbvio. E a Sandra Bullock tá igual à Glória Pires.
- Eu achava que Ney Latorraca era Neyla Torraca. Não sei por que.
- Enquanto isso, na lista de emails do grupo BritishRock [oh, vocês sem dúvida lembram de Fabinhow, o néscio que não conhecia Like a Rolling Stone? Pois é.]... Um sujeito simplesmente não sabia do show do U2. Ele só podia estar tentando fazer tipinho, não é possível, i just don´t deserve that. Acho que os moderadores deveriam vetar terminantemente a participação de marcianos no fórum. Até o Marcos Pontes, que estava orbitando até ontem ao redor do planeta, sabe das especulações sobre Madonna, Patti Smith e Radiohead no Brasil. Gente desinformada, hum, sucks. E se vocês não odeiam, deveriam.
- Quero que alguém agora me diga que o Noel é blasé. O Paul viu essa foto e disse que vai se vingar e o Noel vai morrer de morte matada.

- N & L em Ibiza, durante o verão europeu.
the raconteurs, broken boy soldier