Sobre forçar a barra
Ou: Chover gelo no whisky de JK was too much for me.
Na semana em que Lucy está atormentada com o fim do horário de verão - e a possibilidade concreta de dormir todos os dias às 2 da madrugada, assistindo Lost -, na semana em que comprei a saia e a bolsa de-fi-ni-ti-vas da minha vida [preciso de um lenço étnico ou metros de pérolas falsas para acompanhar o look] e na semana do show dos Rolling Stones, em que nos cansamos de ouvir trocadilhos complexos como "as pedras estão rolando / vão rolar / continuam rolando / são velhas, mas rolam"... e em que o público não se empolgou, mesmo com o Mick suando a camisetinha com brilhinhos pra balançar a galera...
...e o que eram os 4 MIL VIPS na frente do palco? VIP que é VIP, darling, não se mistura com 4 THOUSAND PEOPLE. Oh, vocês ainda têm muito a aprender. Ao menos o Nando Reis deve ter assistido ao show dos Stones, pra COPIAR os modelos do Keith Richards: todo mundo já notou [até eu, Glória Pires, a Rutinha e a Raquel] que ele copia DESCARADAMENTE o visual e até a dancinha do Keith, sem sucesso. [Haha, Lucy strikes again.]

- Nando é o da direita, com o chapéu do Bono.Sim, enfim, no dia em que é acordada pelos vizinhos tocando, no último volume, a latina "Volareeee, ôô... Cantareeee, ôôô..." [ui.], Lucy, 23, rockstar e verdadeiramente VIP, interrompe seu sono reparador com colágeno e macadâmia [adoro essa palavra] para, abnegadamente, postar para os leitores assíduos e gratu
ítos do blog.
Começaremos com uma charada para os iniciados.
Pergunta enigmática do dia:
- Bidê ou Balde?
- Balde.
[...]

Antes do post propriamente dito, preciso compartilhar com vocês minha nova descoberta interessante: a voz de mãe.
Vocês, obviamente, já devem ter observado que as mães têm uma coisa que chamamos de "voz de mãe". Variadas vezes já me peguei refletindo: "Será que quando eu for mãe, eu vou ter uma voz assim, tipo, de mãe, que nem as outras?". Hum. Explico.
É só vocês sacarem quando uma mãe tá chamando o pivete dela de uma janela ou no meio da rua. Ah, geralmente o pivete tem um nome composto. Aqui no prédio tem um monte e nas ruas próximas também. As mães sempre têm uma entonação nervosa, um ritmo cadenciado e uma voz particulares, como:
- Jairo Filho! Ô Jairo Filho!
- Raiâni! Ô Raiâni! Volte aqui, Raiâni!
[...]
Oh, o post.
Ultimamente venho notando a falta de ousadia e perspicácia de publicitários, fabricantes e pessoas em geral em inovar os NOVOS produtos com NOVOS nomes, forçando a barra. Explico. Dia desses, a Ana Maria Braga estava ensinando a fazer um brigadeiro de queijo no programa dela. Sim, cara, você leu certo: BRIGADEIRO-DE-QUEIJO. Gente, concentração. Vocês não acham que as coisas seriam mais simples se ela, tipo, trocasse o nome, inventasse um nome novo? Ns minha humilde opinião, acho que tudo estaria resolvido se ela chamasse de Doce de Queijo, Bolinho de Queijo, Queijinho Redondinho, Queijo Frito, sei lá, whatever. Imaginação, gente. Mas NÃO. Ela vem e batiza a coisa de BRIGADEIRO, impunemente. E ela perguntou o que os brigadeiros achariam disso? Ela perguntou o que os fãs de brigadeiro pensariam? Não. E se uma criança pequena e ingênua vê um programa daquele? Ela cresce achando que pode existir brigadeiro de outra coisa que não seja chocolate, o que é um absurdo.

- No Globo Repórter dessa noite, vejam, com exclusividade, um fato raro na natureza: o legitimo brigadeiro de chocolate com verdadeiros granulados de chocolate, ainda intocado pelo homem. Não aceitem imitações.
É que nem a polêmica e instigante Lasanha de Cream Craker. Ó, desde quando eu era di menor, eu já sabia que lasanha SEMPRE, quer queira quer não*, é composta de massinha, presunto, queijo, massinha, molho, presunto, queijo, massinha, molho e queijo parmesão ralado para gratinar no forno médio. Às vezes, o queijo + presunto é substituído por frango, berinjela e outras variações. O molho é vermelho ou branco. E SÓ. Mas cream craker intercalada com creme de galinha, pra mim, é demais da conta, vamos combinar. Não é lasanha. Inventem o nome que quiser, mas um troço desses, que sequer deve ser levado ao forno, não pode ser chamado de lasanha. Não sobra NENHUM elemento do original, e você ainda coloca O MESMO NOME no prato? Oh, come on. Pra ser sincera, eu não quero nem comentar.
UPDATE: Segue a foto do SALAME DE CHOCOLATE, sugerido por Jaq nos coments. Cara, como eu tinha me esquecido, é uma das deturpações alimentícias mais célebres! Terrible.

- Iga, ughti.Parto do raciocínio simples de que, pessoal, se é uma OUTRA coisa, coloque logo outro nome, né, não custa nada. Criou um prato legal? Great. Manda uma cartinha pra Ana Maria. Mas não diga que é BIFE de soja [até onde sei, BIFE é só, e somente só, de carne] ou ESTROGONOFE DE CHOCOLATE [como eu já vi na Ana Maria também]. Medo, tensão, pavor. É que nem: "Olha, pessoal, hoje nós vamos fazer esse Frango de Peixe, que é uma delícia, acompanhado desse Arroz de Fécula de Batata! Anotem os ingredientes...". Fica bizarro, não fica legal, não convence. Podem me chamar de antiquada, mas não sou dada a esses arroubos modernos na cozinha, no nosso lar.
* eu sempre quis usar essa expressão no blog, "quer queira quer não".
[...]
Esse questionamento nos faz repensar os paradigmas alimentícios modernos da sociedade contemporânea. O que nos faz chamar um Batom Garoto UVA de BATOM GAROTO? Mas o batom garoto não era pra ser CHOCOLATE, até onde sei? O que une a uva ao chocolate, o que têm em comum? Essa e outras perguntas nos inquietam, efetivamente.
Perdi o sono de ontem pra hoje, pensando no futuro da humanidade. Eu e Bono Vox.

- O Brazil é bonito. Bono-ito. [ontem, no Fantástico. Com quem ele anda aprendendo esses trocadilhos?!]
[Ops, as buscas aqui vão bombar, com "Bono Vox". Vou aproveitar e colocar "U2 Brasil venda últimos ingressos pista". "Hot area gratis". "Mercado Livre ingressos U2". "Bono é viado". Só para atrair mais gente pelo Google.] Ora, marketing é tudo na vida.
Sim, continuando. Cito ainda o caso do biscoito, Club Social, OUTRORA SALGADO. Êpa, calma aê, que virou Brasil. Ele foi lançado com a proposta de ser salgado, nos prometeu ser salgado para todo o sempre e, pasmem!, ele existe agora no sabor FRUTAS VERMELHAS. Novamente: se é um NOVO biscoito, um produto novo, uma coisa assim, que não tem NADA EM COMUM com o TRUE Club Social SALGADO, não tem parentesco nem de terceiro grau, porque nos enganam, nóóós, consumidores que pagamos nossos impostos???
E a pior coisa nos casos Batom e Club é a questão de que eles mantêm a mesma embalagem antiga. Vejam o caso intrigante do Toddynho DOCE DE LEITE. Sem dúvida, a imagem da marca, consolidada há 20 anos, deve ficar super maculada, por causa da baixa aceitação de uma coisa horrível dessas. É quase um ACHOCOLATADO de doce de leite, percebam o equívoco, a contradição. A pessoa fica com tanto medo, mas tanto medo de levar o Toddy errado que passa a comprar Nescau, reflitam.
Essa questão das embalagens dos bons serem idênticas às embalagens dos maus faz com que pais desavisados levem gato por lebre. Ou melhor, levem uva por chocolate. Afinal, é notório, desde o medievo, o conceito de que pais jamais lêem embalagens de biscoitos. Minha mãe, por exemplo, analisa até aquela micro-tabela de calorias e lipídios do verso da lata de azeite, olha se a receita detrás da caixinha de creme de leite presta, tudo mais. Mas, na hora de comprar um Trakinas de LIMÃO, ela não duvida e taca no carrinho, na fé. Para os pais, TUDO é biscoito, tudo é permitido. Deve ser algum bloqueio, só pode. Minha tese é que apenas os pais sustentam esse mercado de produtos deturpados - porque os levaram por engano, claro. E nós, as crianças, somos as que mais sofrem.

Ao menos, mamãe nunca trouxe pra casa a margarina com UM TOQUE DE MEL, nem a Delícia Maçã e Canela - que nome mais irônico, já que canela é uó. Pois é. E eis que, na atual conjuntura estrutural, política e econômica, não temos mais esse reducionismo primitivo de classificar os sabores como "azedo, amargo, salgado e doce". Que coisa mais antiga, né, amiga dona de casa. O paladar moderno da atualidade admite combinações diferenciadas e, muitas vezes, exóticas e conceituais [maneira delicada de dizer que é RUIM mesmo].
[...]
Por isso que tenho tanto medo de making ofs. Vai que eu tô comendo de repente uma lasanha BATIZADA, deturpada com elementos falsificados e de segunda. Vai que é de Bolacha Maria, eu hein.
Assim não dá. Isso só fomenta o terror e a desconfiança na nossa sociedade, que fica nesse constante estado de tensão. Eu só posso estar pagando meus pecados por ter matado meus peixes por superalimentação na infância.

- Ei, não me julguem, não fiquem chocados. Eu só tinha uns seis anos, eu só queria o bem deles. Quando vi, eles já estavam de barriguinha pra cima...
arctic monkeys, i bet you look good on the dance floor